{"id":666,"date":"2021-10-14T13:39:05","date_gmt":"2021-10-14T13:39:05","guid":{"rendered":"https:\/\/dreamsparkshow.com.br\/noticias\/?p=666"},"modified":"2021-10-14T13:49:12","modified_gmt":"2021-10-14T13:49:12","slug":"artista-de-foz-usa-pintura-rupestre-para-contar-a-historia-de-evolucao-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dreamsparkshow.com.br\/noticias\/2021\/10\/14\/artista-de-foz-usa-pintura-rupestre-para-contar-a-historia-de-evolucao-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Artista de Foz usa pintura rupestre para contar a hist\u00f3ria de evolu\u00e7\u00e3o da humanidade"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma primeira vista, o colorido das pe\u00e7as e a riqueza de composi\u00e7\u00f5es enchem os olhos. Ao se aproximar e observar com aten\u00e7\u00e3o cada espa\u00e7o, os detalhes tornam o trabalho de Dilson Paulo Alves ainda mais impressionante. Entre t\u00e9cnicas e m\u00e9todos de pintura, o convidado desta edi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie Artistas do Igua\u00e7u consagrou-se como o \u00fanico do Brasil a transcrever para pe\u00e7as em cer\u00e2mica e argila os m\u00faltiplos significados das pinturas primitivas e rupestres.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 s\u00e3o 72 anos de vida e 47 deles dedicados \u00e0 arte, desde que o jovem desenhista de avi\u00f5es, ainda na d\u00e9cada de 1970, percebeu que tinha muito mais a mostrar do que linhas e projetos de aeronaves.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos e ap\u00f3s muitas experi\u00eancias, decidiu, h\u00e1 20 anos, dedicar-se exclusivamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da arte primitiva e ind\u00edgena para contar a hist\u00f3ria da humanidade, por meio de uma releitura das pinturas rupestres.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu comecei uma pesquisa para entender como o homem se comunicava, desde a \u00e9poca das cavernas. As rela\u00e7\u00f5es humanas j\u00e1 existiam e cada n\u00facleo familiar se identificava por um sinal marcado na argila. Isso foi evoluindo para um sinal que identificava comunidades, depois cidades, logo depois come\u00e7ou a nascer a escrita, n\u00fameros e tudo o que contribuiu para chegar onde estamos hoje\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender melhor e realizar um trabalho fidedigno, visitou de museus na Europa a s\u00edtios arqueol\u00f3gicos no interior do Brasil. O resultado foi a especializa\u00e7\u00e3o na pintura com t\u00e9cnicas apuradas, que exigem um n\u00edvel aten\u00e7\u00e3o muito grande por conta dos pequenos espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o se trata apenas de pintar v\u00e1rias formas. Tudo precisa estar em harmonia. Cada cor \u00e9 escolhida especialmente para a pe\u00e7a, assim como os desenhos que estar\u00e3o presentes. Sejam os s\u00edmbolos ind\u00edgenas ou as pinturas africanas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>M<strong>olde das obras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que parece imposs\u00edvel a um apreciador comum, \u00e9 natural e simples para o talento de Dilson. \u201cEu sempre gostei de desenhar e, por conta de uma boa coordena\u00e7\u00e3o motora, consigo fazer linhas e contornos com muita facilidade. O que me proporciona mais rapidez para desenhar cada pe\u00e7a e tra\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os exemplos de materiais ic\u00f4nicos de seu acervo, um tronco de madeira que foi totalmente talhado com pinturas de ambos os lados, mostrando s\u00edmbolos ind\u00edgenas e linhas da evolu\u00e7\u00e3o. Ao todo, foram mais de dez meses dedicados ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros s\u00e3o feitos com mais rapidez, por\u00e9m, com o mesmo toque suave e preciso da caneta nanquim que transforma pe\u00e7as de cer\u00e2mica em formato de bule, rosto e figuras humanas em verdadeiras obras de arte.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMe inspiro totalmente na cultura de Foz. Recebemos aqui algo \u00fanico, pessoas de diversas regi\u00f5es e etnias, por isso \u00e0s vezes precisamos resgatar essa identidade e cultura guarani, algo que represento nas pinturas rupestres\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A<strong>s m\u00faltiplas premia\u00e7\u00f5es na pintura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>D\u00edlson nasceu em Foz do Igua\u00e7u, mas mudou-se para S\u00e3o Paulo ainda jovem. Por 20 anos foi projetista de aeronaves na f\u00e1brica da Embraer em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, e conciliava o trabalho com a pintura de quadros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca, o interesse pelo primitivo j\u00e1 era uma marca. Pintava usando o bico de pena, pois assim conseguia tra\u00e7os \u201cfino-grosso\u201d, dando um aspecto totalmente diferente aos materiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa caracter\u00edstica fez com que trabalho dele fosse cada vez mais reconhecido e Dilson passou a expor as telas at\u00e9 mesmo em sal\u00f5es nacionais de arte e receber premia\u00e7\u00f5es frequentes \u2013 somente no Sal\u00e3o de Arte da Embraer foram 11 premia\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de vit\u00f3rias no Sal\u00e3o de Arte de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os quadros expostos no ateli\u00ea que hoje possui aqui Foz do Igua\u00e7u carregam todos os dados hist\u00f3ricos da \u00e9poca, como representa\u00e7\u00f5es metaf\u00f3ricas das greves oper\u00e1rias, o movimento das grandes cidades, al\u00e9m de manifestos contra a ditadura militar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra chamado de bico de pena social, porque eu criava cen\u00e1rios para representar uma ideia e empregava a t\u00e9cnica em favor disso. A cidade em que eu morava valorizava muito as produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e assim eu consegui ocupar muitos espa\u00e7os\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>A volta par<strong>a Foz com muitos trabalhos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a privatiza\u00e7\u00e3o da Embraer em 1994, Dilson voltou para Foz do Igua\u00e7u. Apesar de j\u00e1 ser um pintor premiado, ele nunca se dedicou exclusivamente ao trabalho com as artes. Com experi\u00eancia em planejamento e especializa\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da sa\u00fade, ele chegou a ocupar o cargo de diretor na Secretaria de Sa\u00fade em Foz, diretor da Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria em Gua\u00edra, entre outros cargos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe eu trabalhasse s\u00f3 com a arte, acho que ficaria perdido\u201d, brinca. \u201cPor muitos anos eu preferi ficar assim, trabalhando durante o dia e, no tempo livre, me dedicando ao estudos das artes e pinturas. Desse jeito consigo sempre procurar algo novo e ocupar a minha mente com v\u00e1rios conceitos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Comercializa\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as e propaga\u00e7\u00e3o da cultura<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo aposentado, continua ocupando m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es, sendo atualmente o presidente do Conselho do Idoso em Foz do Igua\u00e7u, vice-presidente do Conselho Municipal de Sa\u00fade e membro do Conselho Municipal de Cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ter feito grande parte da carreira em S\u00e3o Paulo, Dilson ainda n\u00e3o era t\u00e3o reconhecido na fronteira. Na cidade resolveu mostrar os trabalhos na Feira Livre das Na\u00e7\u00f5es e rapidamente chamou a aten\u00e7\u00e3o de quem passava. Certo dia, percebeu o potencial de comercializa\u00e7\u00e3o da arte n\u00e3o apenas como um retorno financeiro, mas como uma propaga\u00e7\u00e3o da arte focada na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pe\u00e7as estavam l\u00e1 e muitos interessados olhavam, at\u00e9 que um dia um comerciante que tinha uma loja no aeroporto ficou encantado com os materiais e comprou todos de uma vez. Fiquei incr\u00e9dulo. Um tempo depois ele me contou que as pe\u00e7as vendiam muito bem, principalmente para turistas estrangeiros e pessoas que conheciam artes. Ent\u00e3o, meus trabalhos come\u00e7aram a ser vendidos nas lojas das Cataratas do Igua\u00e7u tamb\u00e9m. \u00c9 a nossa arte, de Foz, indo para o mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O pintor conta que esse olhar diferente que grande parte de turistas estrangeiros tem se deve ao incentivo que outros pa\u00edses d\u00e3o \u00e0 cultura.<br>\u201cO Brasil tem muitas particularidades que tornam as compara\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, por isso precisamos que os incentivos venham desde a inf\u00e2ncia. Quadros em escolas, oficinas pr\u00e1ticas, financiamento ao trabalho de jovens, entre outras iniciativas podem ajudar. A riqueza cultural de Foz \u00e9 imensa, mas precisa estar aberta a todos\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Foz, conta que \u00e9 preciso buscar uma forma de integrar os artistas e deixar um legado para as futuras gera\u00e7\u00f5es. \u201cTemos que juntar essas mentes pensantes. Temos uma quantidade imensa de grandes artistas na cidade, gente que j\u00e1 levou trabalhos para todo o mundo. A valoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 primordial. No futuro, podemos sentir esse impacto positivo. Tenho dois filhos e cinco netos, e quero deixar isso como legado a eles\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ver mais obras de Dilson, basta visit\u00e1-lo no Ateli\u00ea das Artes, na Rua Belarmino de Mendon\u00e7a, 1090, Centro.<\/p>\n\n\n\n<p>Artista<strong>s do Igua\u00e7u<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie Artistas do Igua\u00e7u \u00e9 produzida pela Comunica\u00e7\u00e3o Social da Prefeitura de Foz do Igua\u00e7u em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Cultural. O objetivo \u00e9 apresentar a hist\u00f3ria e trabalhos de artistas da cidade, nas mais diversas categorias, e valorizar o trabalho de profissionais que levam o nome de Foz para diversas partes do mundo, por meio de trabalhos \u00fanicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Welyton Manoel\/PMFI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma primeira vista, o colorido das pe\u00e7as e a riqueza de composi\u00e7\u00f5es enchem os olhos. Ao se aproximar e observar com aten\u00e7\u00e3o cada espa\u00e7o, os detalhes tornam o trabalho de Dilson Paulo Alves ainda mais impressionante. 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